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EVASÃO ESCOLAR DO ENSINO MÉDIO NO SUL DA BAHIA

Um olhar sobre como a pandemia potencializou um problema histórico



Com raízes provenientes de negligências governamentais e falta de um cuidado com e para os estudantes ao fornecer uma rede funcional de apoio, seja com projetos que garantam a permanência dentro da instituição, como também assistência psicológica, trazem como resultado o desestimulo dos discentes a continuar insistindo na formação básica. A concentração da evasão engloba principalmente os alunos que se encontram em condições instáveis financeiramente, e necessitam despender do tempo de seus estudos para submeter-se a realizar outras atividades que tragam algum retorno financeiro. Muitos, inclusive, são os principais responsáveis pelo sustento de suas famílias, por tanto, há uma pressão externa que acaba ocasionando na desistência das atividades para priorizar questões pessoais mais urgentes.


No último censo, o IBGE publicou um estudo que retrata que 20% da população entre 14 a 29 anos não completaram alguma etapa da educação fundamental. A predominância de padronizações e práticas pedagógicas pouco inclusivas também são apontadas como um dos problemas por alguns grupos considerados minorias políticas, como estudantes pretos, LGBTQIA+ ou pessoas com deficiência (PCD), o que desencadeia também a exclusão no âmbito escolar.


Os resultados da nossa pesquisa apontam que cerca de 52,9% dos entrevistados pensam ou desistiram da sua formação devido a problemas psicológicos e emocionais, entre os principais deles destaca-se depressão, ansiedade e burnout. De acordo com uma pesquisa publicada em agosto de 2021 pela revista Veja Saúde cerca de 10% a 20% dos adolescentes ao redor do mundo sofrem com sintomas da depressão que se caracterizam pela falta de motivação ao realizar atividades do dia a dia, o que ocasiona também no baixo rendimento escolar e provoca uma sensação de insuficiência de culpa.


Na tabela abaixo, iremos demonstrar o tratamento dos dados coletados, separando por duas categorias, idade e avaliação.


A partir do tratamento de dados podemos perceber de formais mais hipóteses e a validação das respostas do questionário estabelecido, para isso, observamos que a média de idade para o público pesquisado varia de 19 a 23 anos, enquanto a média de autoavaliação varia de 5 a 9 de nota. Foi necessário nos aprofundarmos mais nas questões emocionais e socioeconômicas para darmos prosseguimento na pesquisa em questão.


As crises de ansiedade, por sua vez, ocorrem com maior frequência em adolescentes que convivem em ambientes desarmônicos, seja dentro de casa em situações de brigas constantes ou divórcios dos pais, como também nas escolas quando os discentes se encontram em uma situação humilhante, sendo alvos de bullying e/ou preconceito. A falta de estabilidade dentro de casa acaba refletindo diretamente na saúde psicológica das crianças e adolescentes. De acordo com a OMS, cerca de 9,3% da população brasileira sofre com ansiedade e estima-se que 10% dos jovens frutos da convivência de pais ansiosos podem desenvolver o mesmo transtorno. 35,3% dos nossos entrevistados se queixam de problemas familiares, motivados pelos mesmos motivos.


Como iremos demonstrar na no gráfico abaixo, um dos questionamentos levantados no formulário foi em relação a autoavaliação do desempenho escolar de cada aluno, com isso, atestamos que, existe uma relação positiva, à medida em que a idade vai diminuindo tende a nota da autoavaliação aumentar:


Quando se trata da síndrome de burnout, apesar de ser um transtorno que afeta em sua maioria adultos entre 30 a 58 anos, adolescentes também estão sujeitos a sentir esgotamento físico e um enorme desgaste emocional. Entre as principais causas destaca-se a pressão da sociedade e dos pais para que os mesmos atinjam bons resultados acadêmicos. A busca pela perfeição e sucesso no processo educacional fragiliza a sanidade dos estudantes, principalmente se for levar em consideração que estão passando por um período onde a autoestima geralmente é prejudicada devido a mudanças hormonais e dificuldades em lidar com emoções.


Além disso, 29,4% dos entrevistados alegam problemas financeiros. A pobreza sempre foi um dos principais fatores que impulsionaram muitos colapsos sociais e a educação não estaria fora disso. Certamente as dificuldades socioeconômicas, são por sua vez, motivos desestimulantes dos jovens a buscarem meramente o ambiente escolar, e por sua vez se tornou ainda mais frequentes devido ao confinamento obrigatório por conta da covid-19. Cerca de 66,7% dos resultados coletados apontam que a covid-19 foi um fator crucial para o abandono das atividades e a busca por trabalhos de remuneração.


A pressão familiar imposta para que os estudantes consigam ser bons alunos mesmo com todas as dificuldades e ainda conseguir trabalhar para dar sustento para a família acabam desencadeando exaustão e problemas emocionais nos jovens. Por conta disso, avaliamos possíveis soluções que auxiliariam no combate ao abandono escolar como a implantação de programas governamentais de incentivo à educação, dentre elas campanhas midiáticas que visam conscientizar sobre a importância da educação e a valorização das instituições para o desenvolvimento humano e socioeconômico.


Além disso, a criação de políticas internas que fiscalizem e pondere ataques raciais, xenofóbicos, homofóbicos, misóginos ou capacitistas são de extrema importância para que se estabeleça um ambiente respeitoso e harmonioso entre os estudantes, fazendo com que a boa convivência permita o enfoque à absorção do conteúdo, garantindo assim um desenvolvimento pessoal e social de excelência. Também é necessário a cobrança constante de políticas públicas que ofereçam um apoio financeiro como auxílio transporte, auxílio alimentação e em alguns casos, até mesmo, auxílio moradia, principalmente para os estudantes que se viram desamparados durante a pandemia.


É mister salientar o papel fundamental dos docentes ao deparar-se com os cenários em que os alunos estão inseridos, não ignorando as condições às quais estão submetidos e sim oferecendo apoio, facilitando a democratização do conhecimento, visando evitar ao máximo o abandono definitivo das atividades educacionais.


Concluímos com a produção deste artigo que a questão da evasão escolar é um problema latente na educação brasileira, sendo causada por diferentes fatores e por isso não pode ser resolvida de maneira simples e/ou tão rápida, merecendo uma atenção especial e esforços dobrados para reverter e sanar esse caso. Dentre esses problemas, os mais impactantes e que levam a maior parte das pessoas à evasão escolar dentro da nossa pesquisa, são as condições mentais/psicológicas dos entrevistados, as condições financeiras e problemas dentro do ciclo familiar. É necessário a implantação de psicólogos que façam acompanhamentos frequentes, seja em sessões em grupo ou individual. Disponibilizar um horário da semana da carga horária estudantil para dedicar única e exclusivamente à preservação da saúde mental e queixas emocionais dos alunos é fundamental.


O período de pandemia da COVID-19 agravou intensamente os casos já presente na educação, escancarando os problemas socioeconômicos e mostrando que mesmo uma mudança no método de ensino, caso não seja aliada com políticas de apoio, irão contribuir ainda mais para os números da evasão escolar. Tudo isso, contorna e define os desafios para lidar com essa questão tão preocupante da sociedade.


Analisando os problemas tangentes na questão da evasão escolar, fica evidente a obrigação do Estado em realizar medidas capazes de combater os problemas acima citados. Pensando que a falta de perspectiva sobre o futuro através da educação, e em muitos casos, a urgência de buscar um meio de sustento para a própria sobrevivência, que leva as pessoas ao abandono permanente das escolas, fica claro que as medidas não se restringem apenas ao ambiente escolar. Políticas de permanência e incentivo, políticas de apoio psicopedagógico, melhora das relações dentro do ambiente escolar, combatendo todo tipo de discriminação, violência e preconceito, mudanças no método de ensino, acesso à alimentação digna, esporte e lazer, etc. Todos esses fatores são políticos públicas necessárias e capazes de combater o problema da evasão escolar.



* Publicado a partir da atividade avaliativa da disciplina de Estatística Aplicada às Ciências Sociais II ministrada pela Dra. Lígia Lins Souza, realizada por: Jackline Rocha de Souza; Lara Oliveira Japiassu Santana; Luiz Felipe Rodrigues Barcelar; Maria da Glória Moura; Misael da Silva Santiago; Shayra Luiza e Kauanny Cardoso dos Santos - Dicentes do 3º e 7º Sementre de Licenciatura em Ciências Sociais pela UESC - Universidade Estadual de Santa Cruz;

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